No agronegócio, corrente comercial entre EUA e Brasil é difícil.

 

Para proteger seus mercados internos, ambos os países impõem barreiras e cotas nas negociações.

 

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, não tem o que reclamar do Brasil no que se refere ao setor do agronegócio.

 

Brasileiros e americanos têm um fluxo comercial muito semelhante, inclusive com importações e exportações de produtos similares.

 

Ambos defendem seus mercados com barreiras comerciais, impondo taxas em vários itens como carnes, suco, etanol e açúcar.

 

De janeiro a setembro, os brasileiros exportaram US$ 3,1 bilhões para os Estados Unidos no setor de agronegócio, enquanto os americanos colocaram produtos no valor de US$ 2,1 bilhões no Brasil.

 

Esses valores correspondem a R$ 11,9 bilhões e a R$ 8,1 bilhões, respectivamente, com base no valor do dólar de R$ 3,85 desta quarta-feira (3), segundo o Banco Central.

 

Trump tem razão, no entanto, em dizer que no Brasil é difícil fazer negócios. É difícil até para os brasileiros.

 

Lígia Dutra, superintendente de relações internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que a corrente do agronegócio entre os dois países é equilibrada.

 

Ela admite, no entanto, que o Brasil enfrenta barreiras de vários países por ser uma economia muito fechada.

 

"Não existe mais comércio de mão única, e o Brasil precisa fazer um movimento de abertura", diz Dutra. A estratégia é tirar o máximo de vantagens nessas negociações, acrescenta.

 

Do lado do Brasil, um dos destaques entre as exportações é a celulose, que rendeu US$ 846 milhões até setembro. Em ambos os países, o etanol tem destaque na balança comercial. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que o Brasil gastou US$ 596 milhões com a importação de álcool dos Estados Unidos neste ano.

 

Já os americanos gastaram US$ 367 milhões no Brasil com a compra desse combustível.

 

O terceiro produto da lista de exportações do Brasil é o café, commodity que os americanos não produzem. Foram US$ 530 milhões neste ano.

 

Já os americanos, aproveitando a deficiência industrial brasileira em alguns insumos agropecuários, obtêm boa fatia nesse mercado brasileiro.

 

Nos nove primeiros meses, as importações brasileiras de insumos químicos (fungicidas, herbicidas, pesticidas etc.) renderam US$ 516 milhões para os americanos. No mesmo período, o Brasil gastou US$ 503 milhões na compra de fertilizantes.

 

A relação comercial entre os dois países é pequena em outros setores como o de grãos e o de proteínas. Americanos e brasileiros têm um agronegócio similar e disputam praticamente os mesmos mercados em carnes, soja e milho.

 

No setor de grãos, os produtores dos Estados Unidos levam vantagem no trigo, cereal do qual o Brasil é dependente. O produto americano, porém, nem sempre é competitivo, uma vez que recebe uma tarifa de 10% para entrar no Brasil.

 

O etanol dos Estados Unidos também sofre barreira comercial no Brasil. A taxa imposta é de 20% para o volume que exceder 600 milhões de litros. Os dois países, porém, dependendo do período do ano, se complementam com importações e exportações desse combustível.

 

Se o Brasil penaliza o álcool, os Estados Unidos colocam cotas e barreiras sobre o açúcar brasileiro, reduzindo o potencial de exportação nacional.

Os EUA dão uma cota anual de exportações para as usinas brasileiras. O volume que supera essa cota recebe uma tributação pesada.

 

Um importante mercado para o suco de laranja brasileiro, os Estados Unidos também colocam barreiras ao produto nacional. São US$ 415 por tonelada.

Entre as bebidas, os americanos mandam para o Brasil uísque, licores, vinho e cerveja. Já na lista das bebidas exportadas pelo Brasil aos americanos estão cachaça e espumantes.

 

Vaivém do Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

 

Please reload

Notícias Recentes

Please reload

Notícias por mês

Please reload

Tags

Please reload

 

Rua Geraldo Flausino Gomes, 42 - 5º andar | Brooklin Novo | São Paulo - SP 04575-060

Tel. (11) 5102-5656 | abrahy@abrahy.com.br

©2018 ABRAHY. criado pela TR2 Art + Design