Montadoras minimizam fala de Guedes de que Mercosul não é prioridade

O setor automotivo tenta demonstrar tranquilidade diante de Guedes sobre o Mercosul.

 

“Argentina e Brasil têm relações muito sólidas, não acredito que algo venha a causar qualquer tipo de interferência”, diz Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil.

 

O executivo afirma que aproximadamente 20% da produção nacional da Nissan vai para a Argentina. A fábrica da montadora fica em Resende (RJ), onde são feitos os modelos Kicks, March e Versa.

 

Segundo Silva, carros produzidos no país vizinho chegarão ao Brasil em maior volume a partir de 2019. “Depois do investimento que fizemos em Córdoba, acreditamos que essa dependência mútua será ainda mais consolidada, estou muito tranquilo quanto a isso.”

 

O presidente da Nissan se refere ao início da produção da picape Frontier na fábrica de Santa Isabel, um investimento de US$ 600 milhões (R$ 2,2 bilhões) com capacidade para montar 70 mil unidades por ano. Cerca de 50% da produção será voltada à exportação, sendo o Brasil o principal mercado.

 

Segundo presidente da Nissan, grande parte da produção argentina da picape Frontier deve vir para o Brasil.

 

O modelo de origem japonesa vai dividir a linha de produção com as picapes Mercedes Classe X e Renault Alaskan.

 

Ricardo Bastos, diretor de assuntos governamentais da Toyota, também minimiza as declarações de Guedes.

 

“A possibilidade de maior flexibilidade para o bloco ou os países poder fazer negociações bilaterais pode ocorrer sem ruptura da integração já alcançada entre os membros.”

 

A Toyota produz a picape Hilux e o utilitário SW4 na fábrica de Zárate. Somados, os modelos tiveram 37,1 mil unidades emplacadas no Brasil entre janeiro e setembro.

 

Outras fabricantes que produzem automóveis nos dois países preferiram não se pronunciar, por acharem que ainda é cedo para dar qualquer tipo de declaração.

 

Apesar de a relação comercial entre os países ser considerada restritiva por Guedes, que deseja estabelecer contratos mais globais e vultosos, o acordo entre Brasil e Argentina no setor automotivo já tirou um e outro de apuros.

 

As exportações de carros para a Argentina chegaram a representar cerca de 75% do total no setor. Entre 2014 e 2016, anos de forte queda nas vendas internas, esse volume ajudou a manter produtivas as fábricas instaladas no Brasil.

 

Com a crise argentina-os emplacamentos por lá caíram 35% na comparação entre setembro de 2018 e de 2017—, essa participação caiu para 50%. Ainda assim, o país vizinho é o maior comprador dos carros nacionais.

 

Por outro lado, a retomada do mercado brasileiro favorece aos argentinos. A Volkswagen prevê um crescimento de 8% neste ano na produção de sua fábrica em Pacheco. A montadora faz a perua SpaceFox e a picape Amarok nessa unidade.

 

Em novembro de 2017, a Volks anunciou um investimento de US$ 650 milhões (R$ 2,4 bilhões) na linha de produção argentina. Um novo utilitário de porte médio será feito no país vizinho, tendo mais uma vez o Brasil como principal mercado.

 

O setor calçadista, também relevante na relação comercial entre entre os países do Mercosul, é outro que minimiza as declarações de Guedes.

 

Para o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, o que já está definido não deve ser alterado. “É preciso manter a área de livre-comércio com o Paraguai a Argentina e o Uruguai. Mas, não acredito que se possa regredir nessa relação.”

 

Klein diz também que os países não têm caminhado para outros acordos. “A realidade é que não temos avançado muito como mercado comum. Com a União Europeia, por exemplo, está há algum tempo parado.”

 

FOLHA DE S.PAULO - SP - 31/10/2018

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