Empresas inovadoras preveem ganhos com importação

Empresas inovadoras preveem ganhos com importação

 

“Se as tarifas baixarem, podemos elevar os investimentos em 50%”

 

Para alguns industriais, a abertura comercial pretendida pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que prevê a redução unilateral de tarifas de importação de bens de capital, é uma chance de importar máquinas para adequar linhas de produção à manufatura inteligente. Também chamado de indústria 4.0, o sistema pressupõe o uso de tecnologias como robôs e sensores conectados para aumentar a produtividade no chão de fábrica. É uma área em que a indústria brasileira está atrás do padrão de nações desenvolvidas. De acordo com o estudo Indústria 2027, lançado em maio pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com entrevistas a 750 industriais, só 1,6% tinha as tecnologias. Na Alemanha, referência mundial, 50% das indústrias são 4.0. Alguns industriais com planos de investir na indústria 4.0. reclamam das regras atuais. É o caso de Salésio Martins, fundador da empresa de vestuário infantil Kyly. Em 2019, Martins prevê investir R$ 40 milhões em softwares para automatizar a fábrica da Kyly em Pomerode (SC). — Hà uma taxação violenta em cima de máquinas quando há similar nacional —diz Martins.

 

Há quem espere investir mais em manufatura inteligente caso a abertura comercial saia mesmo do papel. Na Ecoville, fabricante de produtos de limpeza que tem numa rede de 300 franqueados a maior fonte de vendas — hoje em cerca de R$ 200 milhões, segundo estimativa de mercado —, o plano para 2019 é investir R$ 10 milhões em sensores para automatizar fábricas em Santa Catarina e em Minas Gerais. O motivo: tornar públicos os indicadores de produtividade das fábricas a franqueados, de modo a conquistar a confiança e colocar mais gente para fiscalizar gargalos produtivos. —Se as tarifas de importação baixarem, podemos elevar os investimentos em 50% — diz o presidente da Ecoville, Leonardo Castelo. Para especialistas, a perspectiva de abertura comercial pode ajudar a modernizar a indústria. Mas lembram que, atualmente, a maioria dos 3 mil pedidos anuais de isenção de tarifas ao Ministério de Indústria, Desenvolvimento e Comércio (Mdic) para modernização de fábricas já é concedida. A eliminação das taxas de importação poderia simplificar o atual processo de isenção no Mdic. Hoje, a análise é caso a caso. Quando há similar nacional, a isenção é negada, o que deixa dúvidas.

 

— Há, hoje, algumas zonas cinzentas na aprovação de pedidos de isenção — diz Welber Barral, sócio da consultoria Barral M Jorge. A preocupação com o discurso de abertura comercial porém, nos termos previstos por Guedes, é o de atrapalhar as negociações em andamento, como a entre Mercosul e União Europeia. —Uma abertura unilateral enfraqueceria essas tratativas —diz o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES entre 2007 e 2016 e autor do estudo Indústria 2027.

 

Para Coutinho, o risco é o Brasil reduzir tarifas de importação sem abrir mercados a exportações de setores em que o país é competitivo, como o agronegócio.

 

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