Apple tomba 10% e arrasta mercados, mas Bolsa brasileira tem novo recorde

O tombo de 10% no preço das ações da Apple, reflexo na previsão de receita menor que a esperada até então, arrastou os mercados mundiais para um novo dia de perdas expressivas. No Brasil, porém, o otimismo com o início do governo Bolsonaro deu força para a Bolsa fechar no positivo, renovando a máxima histórica atingida na véspera.

 

O Ibovespa, principal índice acionário do país, ganhou 0,60% e fechou o dia a 91.564 pontos. O giro financeiro foi de R$ 20 bilhões, acima da média diária do último ano. O dia foi de forte oscilação de preços, e o mercado chegou a passar boa parte do pregão no negativo, contagiado pelo exterior. A guinada para o azul ocorreu ao final da ​sessão.

 

No noticiário doméstico, o destaque foi a afirmação do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que a proposta de reforma da Previdência será apresentada pelo ministro Paulo Guedes (Economia) até a próxima segunda (7). 

 

A reforma da Previdência é vista como crucial pelo mercado financeiro para o reequilíbrio das contas públicas e, desde a eleição de Bolsonaro, investidores alimentavam expectativa de que ela fosse apresentada logo no começo do mandato, para sinalizar compromisso com o tema.

 

No entanto, o ganho no mercado local foi contido pelo exterior turbulento. As ações da Apple tombaram nesta quinta após a companhia estimar receita menor no primeiro trimestre fiscal de 2019, encerrado em dezembro. A empresa divulga resultados no final do mês.

 

A previsão de ganhos menores materializa o temor disseminado pelos mercados desde meados de setembro do ano passado, quando investidores passaram a temer o impacto da desaceleração da economia global sobre os ativos. Havia ainda temor sobre empresas americanas dos efeitos da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China.

 

Em uma carta a investidores publicada na noite de quarta, Tim Cook, presidente da empresa, listou quatro motivos para o corte na projeção, o principal deles a redução das vendas no mercado chinês.

 

“Embora tenhamos antecipado alguns desafios nos principais mercados emergentes, não previmos a magnitude da desaceleração econômica, particularmente na Grande China”, escreveu Cook. 

 

A revisão de estimativas da Apple, que em agosto chegou a valer US$ 1 trilhão (R$ 3,75 trilhões), materializa o temor de investidores de uma desaceleração da economia global. Com o tombo desta quinta, a Apple passa a ser a quarta empresa mais valiosa, atrás de Microsoft (US$ 752,8 bilhões), Amazon (US$ 733,6 bilhões) e Alphabet/Google (US$ 709,7 bilhões).

 

O reflexo do dia negativo foi o tombo de mais de 2% nos principais índices americanos. O Dow Jones tombou 2,83% e a Nasdaq, 3,04%.

 

Com o cenário ruim nos EUA, moedas emergentes tiveram um desempenho misto. De uma cesta de 24 divisas, 15 delas avançaram sobre o dólar. 

Ante o real, o dólar caiu 1,46% e fechou a R$ 3,7540, no menor patamar desde a metade de novembro.

 

Jefferson Laatus, operador do mercado e sócio do Grupo Laatus, que forma profissionais, diz que a sinalização o acordo do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, para apoiar Rodrigo Maia (DEM) à reeleição na Câmara, sustenta o otimismo no mercado local.

 

Para além do otimismo, o mercado local ganhou alívio com o fim das remessas de multinacionais para o exterior, movimento típico de dezembro e que costuma fazer o dólar avançar sobre o real. Para conter a pressão, o Banco Central fez operações de venda de moeda com compromisso de recompra.

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