Indústria de etanol dos EUA queima US$ 1 bi na guerra comercial

A soja pode ser o produto que mais gera noticiário na guerra comercial, mas a briga do presidente americano, Donald Trump, com Pequim leva a US$ 1 bilhão em perdas em outro segmento do setor agrícola: o do etanol feito de milho.

 

A produtora de etanol Green Plains informou na segunda-feira que a receita do quarto trimestre ficou aquém da estimativa mais pessimista de todos os analistas. Na semana passada, a Archer-Daniels-Midland, uma das líderes mundiais no segmento, apresentou lucro abaixo do esperado pela primeira vez em cinco trimestres. No mês passado, a Valero Energy avisou que a divisão de etanol teve prejuízo operacional de US$ 27 milhões no quarto trimestre.

 

O motivo? Para quem transforma milho em biocombustível, ficou muito mais difícil ganhar dinheiro. A China impôs alíquota de 70 por cento sobre o produto americano e basicamente sumiu desse mercado, o que contribuiu para derrubar a margem de lucro do etanol. Pelos cálculos do presidente da Green Plains, Todd Becker, o setor como um todo queimou aproximadamente US$ 1 bilhão para suportar 2018.

 

"O setor está em uma situação de queima de caixa", disse Becker durante teleconferência com analistas sobre o desempenho trimestral, na segunda-feira. Neste ano, o setor pode perder de novo US$ 1 bilhão ou mais, a não ser que o panorama do comércio internacional mude ou o excesso de oferta diminua, acrescentou ele.

O etanol se soma a outros problemas no Cinturão Agrícola dos EUA, onde vivem muitos dos eleitores de Trump. O biocombustível é elemento fundamental da economia agrícola e representa 39 por cento da produção de milho do país.

 

Embora a China tenha retomado parcialmente a compra de soja durante a trégua na guerra comercial, o mesmo não ocorreu com o etanol até agora.

A perspectiva de demanda na China será um dos principais assuntos na Conferência Nacional do Etanol, realizada nesta semana em Orlando, Flórida. É o maior encontro anual do setor nos EUA, frequentado por operadores de commodities, analistas, executivos e fazendeiros.

A indústria americana de etanol se expandiu rapidamente nos últimos anos, aproveitando a forte demanda chinesa e um mandato do governo federal sobre o uso de biocombustíveis.

 

Aparentemente, esse período de bonança terminou pelo menos até que a demanda da China volte. Becker, da Green Plains, acha que, sem gerar lucros, as empresas serão forçadas a tomar empréstimos rotativos.

Os produtores também colocaram o pé no freio. Na semana encerrada em 1º de fevereiro, a produção foi a menor desde outubro de 2017, segundo dados do governo americano.

 

O quadro ainda pode mudar se EUA e China chegarem a um acordo que elimine as tarifas. A ADM espera que a guerra comercial seja resolvida até o meio do ano, revelou o presidente Juan Luciano durante teleconferência com analistas em 5 de fevereiro.

 

"Provavelmente teremos algum etanol entrando na China", disse Luciano. "Isso pode ajudar as margens do etanol."

 

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