BC indica nova rodada de corte de juros

Copom sinaliza que a queda da taxa de 6,5% para 5,75% até o fim do ano, como projeta o mercado, poderá ocorrer, com inflação controlada, caso reforma da Previdência seja aprovada.

 

O Banco Central reforçou a percepção, entre os economistas do mercado financeiro, de que uma nova rodada de cortes na taxa básica de juros está a caminho no Brasil. Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da instituição, divulgada ontem, o BC indicou que a inflação segue sob controle, mas a recuperação econômica parou.

 

Na semana passada, o Copom – que reúne o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os oito diretores da instituição – manteve a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano, pela décima vez consecutiva. No entanto, o BC sinalizou que, caso a reforma da Previdência seja aprovada no Congresso, poderá voltar a reduzir a taxa básica. No mercado financeiro, as projeções médias são de três cortes da Selic ainda em 2019, a partir de setembro. Com isso, a Selic terminaria o ano em 5,75%.

 

No documento publicado ontem, o Banco Central passou indicações de que esse cenário é possível. A instituição sinalizou que, caso a Selic caia para 5,75% até o fim de 2019, como projeta o mercado financeiro, a inflação deve fechar 2020 em 3,9%. O porcentual está muito próximo da meta perseguida pelo próprio BC, de 4%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação de 2,5% e 5,5%). Os números sugerem, na prática, que uma nova rodada de cortes da Selic não será ameaça à inflação.

 

O BC também avaliou que o cenário externo está mais favorável, após países como os Estados Unidos passarem indicações de que podem cortar juros. Ao mesmo tempo, a recuperação econômica no Brasil, na visão do BC, foi interrompida nos últimos trimestres. Após o recuo de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, o BC projeta um porcentual próximo de zero para segundo trimestre.

 

Apostas. Esses três fatores – inflação controlada no Brasil, atividade econômica fraca e exterior favorável – têm levado o mercado financeiro a apostar em uma Selic mais baixa.

 

Para os economistas do Itaú Unibanco, o BC deve reiniciar o processo de queda da Selic no próximo mês (nos dias 30 e 31 de julho), com recuo de 0,25 ponto porcentual. “O comitê traz uma clara indicação verbal de que, condicional a avanços concretos na agenda de reformas, o Copom retomará a flexibilização monetária em breve”, avalia.

 

Já o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, tem dúvidas se o Copom vai começar a reduzir a Selic em julho ou setembro. Isso porque a instituição condicionou os novos cortes ao andamento da reforma da Previdência. “O BC reconhece na ata o cenário tranquilo de inflação, que a economia vem decepcionando e que deve haver espaço para mais estímulos monetários (corte de juros) na economia, mas que são necessários avanços concretos na agenda de reformas para esse movimento”, avaliou.

 

Rostagno diz que o início do corte de juros em julho depende não só da reforma passar em primeiro turno na Câmara, mas da aprovação com margem razoável. “Se isso ocorrer, o BC deve cortar 0,25 ponto porcentual em julho. Se a margem for apertada, gerando dúvidas para a votação em segundo turno, o corte deve ficar para setembro, mas o BC já começaria com 0,50 ponto”, avaliou Rostagno.

 

O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, concorda que o primeiro corte da Selic pode ocorrer já no próximo mês. “Talvez em julho, após a aprovação da reforma. Três cortes de 0,25 ponto seriam compatíveis com inflação na meta em 2020”, acrescentou.

 

“O comitê traz uma clara indicação verbal de que, condicionada a avanços concretos na agenda de reformas, o Copom retomará a flexibilização monetária em breve.”

 

O ESTADO DE S. PAULO - ECONOMIA -São Paulo - SP - 26/06/2019

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