BC aumenta de 1,8% para 2,2% estimativa de alta do PIB em 2020

Na esteira dos dados mais recentes de atividade, o Banco Central elevou sua expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ontem, a projeção de crescimento da economia no próximo ano passou de 1,8% para 2,2%. Se confirmado, o resultado será aproximadamente o dobro do registrado em 2019.

 

“Para nós, não é o 2,2% de projeção de alta do PIB em 2020 o mais importante. Mais importante é como vamos crescer no próximo ano”, afirmou o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

 

Ele lembrou que as projeções de PIB consideram que, dentro da economia brasileira, a parte pública está ficando menor, enquanto a parte privada está crescendo. “O plano do governo é reinventar crescimento de forma mais privada”, considerou.

 

Para o BC, a recuperação da economia em 2020 será de “melhor qualidade” por conta justamente da alta dos investimentos privados. Nas projeções da autarquia, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – medida que traduz os investimentos produtivos – crescerá 4,1% no próximo ano. O porcentual está acima dos 3,3% de expansão esperados para o consolidado de 2019.

 

“É uma recuperação saudável, puxada pelo investimento, em grande parte por conta do setor imobiliário, cuja retomada não está concentrada apenas em São Paulo, mas espalhada em vários Estados e capitais”, pontuou o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk.

 

O BC também se mostrou mais otimista com os dados do encerramento de 2019. A projeção de expansão do PIB este ano subiu de 0,9% para 1,2%. Neste caso, além de uma expansão de 3,3% nos investimentos, o BC projeta uma alta de 2,0% no consumo das famílias.

 

Inflação controlada. Mesmo com a expectativa de aceleração do PIB em 2020, o BC indica que o cenário está relativamente tranquilo para o cumprimento das metas de inflação. O relatório mostrou que o BC projeta inflação de 4,0% para o consolidado de 2019 e de 3,5% para 2020.

 

Nos dois casos, as projeções estão abaixo das metas perseguidas pelo BC, de inflação de 4,25% para 2019 e de 4,0% em 2020. Os cálculos foram feitos com base nas expectativas do mercado financeiro para o câmbio e os juros.

 

Kanczuk avaliou, no entanto, que o fato de as projeções de inflação para os próximos anos estarem ligeiramente abaixo do centro da meta não significa necessariamente que há espaço para novas reduções na Selic (a taxa básica de juros). “Não há ligação mecânica entre modelo de curto prazo e política monetária”, afirmou.

 

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Rodrigo Mesquita, as projeções do BC são consistentes com cortes adicionais do juro básico em 2020.

 

“Adicionalmente, o documento indica que a taxa Selic pode permanecer em nível próximo do mínimo por tempo considerável, com alta somente a partir de 2021”, afirmou, em nota encaminhada a clientes.

 

O ESTADO DE S.PAULO – ECONOMIA – 20/12/2019 – PÁG B5

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