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Juros em queda e maior oferta de crédito favorecem as vendas de veículos

O spread bancário para o crédito ao consumidor final tende a seguir elevado por um bom tempo ainda, mas o juro em queda - ainda que permaneça em patamar mais alto - e a maior oferta de crédito são os fatores que devem seguir favorecendo as vendas de veículos nos próximos meses. Em apresentação on-line durante o #ABPlanOn, evento realizado por Automotive Business na segunda-feira, 24, Fernando Machado Gonçalves, superintendente de pesquisa macroeconômica do Itaú, afirmou que a Selic (taxa básica), já em seu menor índice histórico (2% ao ano), ajuda, mas não determina sozinha uma redução drástica dos juros na ponta do consumo.

O grande número de desempregados e a elevação do risco-país, devido ao agravamento da situação fiscal a partir da crise gerada pela pandemia da Covid-19, também seguirão pressionando o câmbio. Nos cálculos do banco, o dólar deve chegar a dezembro cotado a não menos do que R$ 5,25 e a R$ 4,50 um ano depois.

BONS VENTOS PARA 2021

Na avaliação do economista, de qualquer forma, o Brasil já caminha para um cenário econômico bem menos conturbado em 2021. O Itaú projeta que a inflação seguirá baixa - 1,7% este ano e 2,8% no ano que vem -, com crescimento do PIB da ordem de 3,5% no próximo ano, que não será suficiente para compensar o tombo de 4,5% em 2020.

E, ainda que elevada, a queda do PIB esperada pela instituição para este ano já é melhor do que a média das opiniões de outras instituições, lembra o superintendente: 'A mediana do relatório Focus indica retração de 5,5%. Esse nosso número era visto como otimista, mas vários analistas começam a se aproximar dele'.

Gonçalves destaca a retomada rápida de vários segmentos como fatores que devem sustentar um recuo do PIB menor do que o projetado por muitos há dois ou três meses. Ele apontou, em especial, o crescimento do nível de ocupação da capacidade industrial e das vendas no varejo, que está ocorrendo em 'V'. 'Não temos ainda uma recuperação integral em V porque o setor de serviços foi bastante afetado. Mesmo as vendas de veículos cresceram bastante, mas não em níveis pré-pandemia.'

O executivo do Itaú, entretanto, alerta que o ritmo de retomada da atividade econômica é diferenciado entre as várias regiões do País e ainda mais entre cidades. Ele chama atenção que nas capitais, responsáveis por grande parte da economia e onde o índice de casos de Covid-19 tem diminuído, a recuperação tem sido mais acelerada, diferente das cidades do interior, onde os surtos seguem com índices de contaminação e mortes crescentes.

Outros dois fatores apontados por Gonçalves como fundamentais para o encaminhamento das atividades econômicas em 2021 serão: o eventual surgimento de uma vacina eficaz contra o coronavírus nos próximos meses e como o governo equalizará as despesas com os limites do teto dos gastos públicos. 'São pontos fundamentais que poderão mudar todo o cenário, o câmbio e o índice de confiança.'

O economista alerta que o principal ponto fraco de 2021 será a condição fiscal do País. Para tentar conter os efeitos da pandemia, o governo precisou gastar muito mais do que arrecada e isso elevou o déficit público primário para 11% do PIB este ano - contra 0,9% em 2019, como grau de comparação. A dívida pública do governo, que tinha apontado tendência de queda em 2019, mas ainda em elevado patamar de 76% do PIB, este ano explodiu com o orçamento de emergência para 93% do PIB, sem perspectiva de retração nos próximos anos. 'É um aumento brutal de um nível que já não era bom', destaca Gonçalves.

'No ano que vem será necessário desfazer o orçamento de guerra, ou será impossível manter o teto de gastos', explica o economista, apontando que este ano os gastos já extrapolaram o limite em R$ 573 bilhões. Ele reconhece que será muito difícil fazer esse ajuste.

 

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