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Anfavea lidera discussão sobre futuro dos carros no Brasil


Com a presença de Alckmin e CEOs das montadoras, seminário da Anfavea aprofunda debate sobre eletrificação dos carros no país

A sede da Anfavea fica em São Paulo, mas a associação das montadoras decidiu levar a indústria automobilística a Brasília para colocar o governo dentro do debate sobre a eletrificação dos carros no país. Com a realização de um seminário que teve a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro Alexandre Silveira, deputados, especialistas e de vários CEOs das montadoras, o debate ganhou outro nível.

Tanto o ministro das Minas e Energia, de manhã, como o vice-presidente, à tarde, deixaram muito claro que o governo não quer um discurso de exclusão desta ou daquela rota tecnológica. A discussão “carro elétrico versus híbrido com etanol” parece estar superada, pois o governo sinalizou que não apoiará apenas uma rota; ou melhor, apoiará todas.

Com este seminário, a Anfavea também supera a impressão de que tinha um lado – o do carro híbrido flex com ênfase no etanol. Em várias oportunidades, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Márcio de Lima Leite, disse que a indústria automobilística tem condições de fazer os carros que o país quiser; só pediu previsibilidade nas regras e redução do custo Brasil.

Neste seminário específico – que teve a exposição de vários veículos elétricos e híbridos –, a Anfavea claramente deu mais ênfase à eletrificação pura, de carros a bateria. Mas, durante os debates, a maioria dos CEOs defendeu uma transição lenta até a eletrificação total.

Quem deu um tom diferente foi Santiago Chamorro, presidente da GM, que chamou de “mitos” os problemas relacionados à produção de carros elétricos a bateria no Brasil. Veja a seguir o que falaram os principais participantes do seminário da Anfavea, que foi realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea: “Não aceitamos perder indústrias nesse processo de eletrificação”.

Alexandre Silveira, ministro das Minas e Energia: “O Brasil tem um compromisso explícito com a energia limpa. Tornaremos nosso país um hub para a produção de baterias com lítio. A mobilidade elétrica sem dúvida é e será uma das principais frentes para a descarbonização. Faremos tudo isso sem esquecer dos biocombustíveis. Teremos um olhar para o futuro com destaque para o flex híbrido, que é nossa realidade mais próxima”.

Rafael Chang, presidente da Toyota: “Acreditamos muito que, dentro dessa diversidade de rotas tecnológicas, finalmente vai ser o consumidor que vai decidir qual é a melhor para sua condição. Estamos falando com o Senai para extrair hidrogênio a partir do etanol. A transição não pode ser um processo disruptivo, pois isso trará problemas para os fabricantes e seus fornecedores”.

Daniel Godinho, diretor de sustentabilidade da WEG: “A geração de energia renovável requer investimentos plenamente factíveis. Vamos encher o Brasil de eletropostos de carga, vamos encher as cidades e as estradas brasileiras, e o consumidor do carro elétrico virá”.

Thiago Barral, secretário do Ministério de Minas e Energia: “Estamos trabalhando numa política nacional que resulte numa infraestrutura de recarga”.

Ana Cabral Gardner, da Sigma Litium: “Estamos diante de uma oportunidade secular e o Brasil precisa pensar grande nisso. Não estamos falando aqui de subsídios, mas sim de política pública. É uma oportunidade ímpar, mas ela é temporal, ela é para ontem. O Vale do Jequitinhonha vai produzir lítio este ano que daria para fabricar 700 mil carros elétricos, e no ano que vem daria para fabricar 1,5 milhão de carros elétricos. Basta encaixar o Brasil numa política global verde”.

Antonio Calcanhotto, da Audi: “Se é para ter um imposto de 35% para os carros elétricos importados, que ele venha acompanhado de cotas, para que o mercado não seja morto no nascedouro. Quem investiria numa infraestrutura para apenas 8 mil carros?”

Mauro Correia, CEO da HPE (Mitsubishi e Suzuki): “O mais importante é que a gente está trabalhando na redução das emissões de carbono, que é o que interessa. Qual tecnologia não importa. Deixem a tecnologia para a indústria que coisas boas virão”.

Ricardo Gondo, presidente da Renault: “A visão da Renault é que no futuro os carros vão ser elétricos e conectados. Mas para a transição acreditamos que o carro híbrido com etanol é a melhor solução. A grande pergunta é: quanto tempo vai durar essa transição? Deve ser longa, acreditamos em 30 anos. Em 2040 metade dos carros no mundo ainda usarão motor a combustão”.

Santiago Chamorro, presidente da GM: “Há países vizinhos, como Chile e Colômbia, com legislações muito progressistas, que estão indo numa transformação para veículos elétricos bem mais rápido do que está indo próprio Brasil e seriam uma fonte importante de exportações dos nossos veículos elétrico fabricados no Brasil. Temos vocação, sim, para produzir veículos elétricos. O veículo elétrico é zero emissão. O veículo híbrido tem motor a combustão interna e com ajuda elétrica é mais eficiente,mas tem emissões. E mesmo se compararmos do poço à roda, dado que estamos no Brasil e não na China, o veículo elétrico no Brasil é melhor, em matéria de emissão, do que o veículo híbrido com combustão interna”.

Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil: “Há necessidade de se investir em infra-estrutura, no caso do elétrico puro. Queria destacar que o elétrico vai crescer, então nós temos que trabalhar na infra-estrutura. E crescerá também o híbrido, o etanol elétrico. Uma boa notícia para a indústria é que o BNDES vai disponibilizar R$ 5 bilhões ao ano para pesquisa, inovação e digitalização”.

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