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Ano fecha com menos 300 mil empregos

O país deve fechar o ano com 300 mil empregos a menos por conta da pandemia. A estimativa otimista foi feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que participou de três eventos virtuais, ontem, nos quais repetiu que o auxílio emergencial não será prorrogado, que o governo não pretende aumentar impostos e que a abertura comercial será conduzida de forma gradual. Também insistiu na necessidade das privatizações e das reformas para a retomada. "A doença (covid-19) está descendo e a economia, voltando", afirmou.

Segundo o ministro, o Brasil teve "sucesso" em manter o emprego formal. "Os Estados Unidos perderam 33 milhões de empregos. O Brasil perdeu 500 mil. Chegamos a perder 1 milhão, mas estamos recompondo.


Foram 100 mil em julho, 150 mil em agosto, 300 mil em setembro. Então, o líquido é 500 mil. Este ano, é possível fechar com menos 300 mil", calculou. O montante ficará entre um quinto e um terço das perdas durante a recessão, quando, conforme Guedes, foram 2,6 milhões de postos fechados.

Guedes voltou a reforçar que o auxílio emergencial não será prorrogado. "Do ponto de vista do governo, não existe prorrogação. Evidentemente que tem pressão política e tem gente falando de segunda onda. Estamos preparados para qualquer coisa. Sabemos quais os programas funcionaram, quem são as pessoas e reduzimos a incidência de fraude", disse.

Também destacou que o benefício nada tem a ver com o programa de renda básica que chegou a ser cogitado pelo governo. "A especificidade do plano que seria o Renda Brasil é uma linha evolucionária de programas sociais. Tem de ser fiscalmente sustentável. É da família das reformas estruturantes. Um não é substituto do outro. Chegou-se a pensar numa aterrissagem do benefício ao novo programa, mas houve falta de entendimento", afirmou.

Mudança de modelo O ministro reiterou em todos os eventos que o governo promoveu a Reforma da Previdência, reduziu os juros e impediu aumento salarial do funcionalismo. "Entramos para mudar o modelo. Só que as privatizações, por alguma razão interna, houve hesitação em ministérios. Agora, é melhor um juro baixo com câmbio mais alto, como agora. Acho até que houve overshooting (quando sobe demais, depois cai e se acomoda num patamar médio) do dólar", estimou.

O ministro insistiu na necessidade de privatizar Eletrobrás, Correios, Porto de Santos e a Pré-sal Petróleo SA (PPSA). "Quebraram os Correios, depois o fundo de pensão (Postalis). Hoje, o sistema de entrega eletrônica é uma demanda enorme. Google, Magazine Luiza, Amazon, todo mundo quer fazer entrega. Temos de avançar na privatização dos Correios enquanto é um ativo importante, antes que perca valor econômico. Queremos avançar, mas dependemos do eixo político", observou.

A intenção de privatizar a PPSA, segundo Guedes, é para evitar corrupção nos contratos de petróleo. "O sistema de concessão paga imposto e royalties. Negociar todo ano com empresa estatal pode ser foco de corrupção. Temos de mudar o marco regulatório", anunciou. Guedes disse que é cobrado por entregas, mas "quem dá o timing é a política". "Estamos com as coisas preparadas e bastante otimistas. O governo encontrou sustentação política nos partidos de centro-direita, que cresceram nas prefeituras", disse.

O ministro também reiterou que não pretende aumentar impostos. "Para fazer desoneração, falamos em outra base de arrecadação, mas isso foi interditado. Então, fizemos nossa parte, o Imposto de Valor Agregado (IVA) dual. Está pronto para estados e municípios acoplarem".

Na reforma tributária, segundo Guedes, só vai pagar mais quem ainda não paga. "Dividendos vão pagar. Se lucro virar investimento gerando emprego, o tributo vai ser mais baixo. Rico tem de pagar imposto sobre dividendos. Quem já paga vai ter simplificação e, em alguns casos, redução".

Pauta social Uma pauta mínima, com baixo custo político e alto retorno social, deve começar a avançar ainda este ano para destravar investimentos, disse o ministro. Guedes citou o projeto de autonomia do Banco Central, o novo marco do gás natural e a medida provisória da cabotagem como medidas capazes de destravar investimento.

"Também estamos muito próximos da reforma tributária. A razão de não ter saído, ainda, é porque a política é que dá o timing. Agora, com a covid descendo e a economia voltando, está na hora de novo", disse.

O marco regulatório do gás natural, que está no Senado, vai baratear a energia brasileira, segundo ele. "Com isso, vamos reindustrializar a costa brasileira com juro mais baixo, câmbio mais competitivo, simplificando impostos, energia barata e derrubando custo de cabotagem. Jogamos na defesa nos primeiros anos e, agora, vamos para o ataque nos próximos dois anos. Este é o panorama à frente", garantiu.

Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF Editoria: ECONOMIA Tipo notícia: Matéria Data: 24/11/2020 Autor: Simone Kafruni


 

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