Com início de ano melhor que o previsto, projeção do PIB sobe

Há quatro semanas, o Boletim Focus, que traz previsões de mais de cem bancos e consultorias recolhidas pelo Banco Central, vem mostrando melhora na previsão do PIB deste ano. Subiu nesse período de 3,04% para 3,21%. Os números do primeiro trimestre surpreenderam, mesmo com as restrições impostas à atividade econômica em março com a segunda onda da Co-vid-19. E já há um conjunto de bancos que prevê alta próxima de 4% e até maior para 2021.


João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos, não projeta qualquer queda no PIB trimestral este ano. No fim de 2020, temia-se que o Brasil entraria em recessão técnica (dois trimestres seguidos de queda na comparação com os três meses anteriores), mas esse receio foi afastado pelos números de janeiro e fevereiro: -No início do ano, começamos a ver uma reabertura muita ampla da economia, praticamente a vida voltou ao normal, o que deu um impulso forte em janeiro e fevereiro. Revisamos nossa previsão de 3,2% para 4%, com viés de alta, podendo chegar a 4,5%


E a queda em março não foi tão forte quanto se esperava. As estimativas para o varejo eram de retração de até 10% no mês. Mas o resultado apresentado pelo IBGE foi bem melhor. Limitou-se a 0,6% e, quando incluídas as vendas de carros e de material de construção, ficou em 5,3%.


SERVIÇOS AINDA FRACOS

Mesmo assim, os serviços, os mais afetados pelo fechamento das atividades para combater a pandemia, estão patinando. Seu ritmo está inferior a fevereiro de 2020, depois da queda de 4% em março. Mas já foi constatada recuperação do setor em abril, segundo o Itaú Unibanco, que aumentou sua expectativa para economia este ano de 3,8% para 4%.


Na MB Associados, correções para cima também foram feitas. A previsão para o PIB passou de 2,6% para 3,2%.


-As pessoas não tinham o auxílio emergencial, precisavam trabalhar. Depois de um ano de crise profunda, as famílias não tinham mais recursos disponíveis. Não se fez lock-down na segunda onda, permitindo que as pessoas circulassem livremente, e a atividade continuou bem. Mas trouxe o risco de terceira onda, que é difícil que não aconteça - comenta Sérgio Vale, economis-ta-chefe da MB Associados.


Os índices de mobilidade voltaram aos níveis de fevereiro, ajudando a atividade econômica, mas trazendo mais risco de uma terceira onda. E a vacinação ficou mais lenta.


Para Leal, o segundo trimestre também não deve ser negativo, como se acreditava no fim de 2020. A volta do auxílio emergencial e do programa de manutenção do emprego e a antecipação do 13g salário de aposentados tendem a favorecer a atividade, reduzindo a queda esperada no trimestre.


A LCA Consultores, que também está recalculando suas estimativas, prevê agora um crescimento de 4% do PIB este ano. Até março, esperava alta de 2,8%.


- Os resultados trouxeram forte surpresa positiva no primeiro trimestre. Isso, somado à melhora das expectativas econômicas globais, está nos levando a promover esta revisão -afirma Thais Zara, economista da LCA Consultores.


Veículo: O GLOBO - RJ Editoria: ECONOMIA Tipo notícia: Matéria Data: 20/05/2021 Autor: CÁSSIA ALMEIDA