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Com inflação, vendas do varejo perdem força

A inflação de alimentos pressionada, que reduz o ímpeto nas compras de supermercado, segurou o ritmo do crescimento das vendas do varejo em setembro. No total, houve uma alta de 0,6% ante agosto, quando o aumento sobre julho foi de 3,1%, informou ontem o IBGE. As vendas dos supermercados caíram 0,4%, a terceira queda seguida. A rapidez com que as perdas causadas pela pandemia foram eliminadas entre maio e agosto também ajudaram a moderar o crescimento de setembro.


"A influência da inflação no volume é clara, sobretudo nos alimentos", afirmou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE. Desde maio, a recuperação das vendas do varejo é marcada por uma série de peculiaridades da pandemia. Com as famílias passando mais tempo em casa, aumentou a demanda por alimentos para consumo no domicílio e pelos medicamentos e artigos de perfumaria vendidos nas farmácias - dois setores do comércio que, considerados essenciais, foram menos afetados pelo isolamento social. Além disso, o auxílio emergencial aqueceu as vendas de comida.


Embora os analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast esperassem uma alta de 1,4% no total, o crescimento mais moderado não mudou a projeção de que a retomada da economia segue em curso. Apenas reforça que o ímpeto acelerado, vindo das transferências de renda do governo para mitigar a crise, perderá cada vez mais força nos próximos meses.


"A freada não preocupa porque já havia uma expectativa de acomodação depois de uma recuperação muito forte que depois continuou como uma expansão forte. Essa acomodação deve continuar no quarto trimestre e na passagem para o ano que vem", disse o economista Lucas Rocca, da LCA Consultores.


Com o avanço de setembro, as vendas no varejo renovaram o recorde do nível de atividade e emplacaram o quinto mês seguido de alta. As vendas já estão 7,7% acima do nível de fevereiro, prépandemia. "A recuperação em "V" já aconteceu, não dava para contar que o ritmo de crescimento forte fosse sustentado por muito tempo. O efeito do auxílio emergencial vai começar a diminuir e as taxas de crescimento devem ser menores do que nos últimos meses" afirmou o economista Homero Guizzo, da Guide Investimentos.


A perspectiva de moderação no crescimento continua nos próximos meses, por causa da redução do auxílio emergencial. Desde setembro, o valor mensal da transferência foi reduzido de R$ 600 para R$ 300, mas o IBGE não captou um efeito negativo dessa redução no valor sobre o crescimento das vendas do varejo, já que, em setembro, o auxilio emergencial "foi positivo para o rendimento das famílias", disse.


No curto prazo, as vendas de Natal e promoções como a Black Friday podem dar um impulso positivo, compensando efeitos negativos da inflação de alimentos e da redução do auxílio emergencial.


"No varejo ampliado, pode ser que esse arrefecimento seja contrabalanceado pelos automóveis", disse o economista sênior do Banco MUFG Brasil Maurício Nakahodo.


Veículo: O ESTADO DE S. PAULO - SP Editoria: ECONOMIA E NEGÓCIOS Tipo notícia: Matéria Data: 12/11/2020

Autor: VINICIUS NEDER, THAÍS BARCELLOS, GREGORY PRUDENCIANO e CÍCERO COTRIM

 

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