Inflação para motoristas é quase o dobro do IPCA: combustível é o maior vilão


[Fonte: Auto Esporte]

Gasolina, peças e acessórios, IPVA, carros 0-km e usados são alguns dos responsáveis por elevar a inflação deste setor em 18,46%

Os custos do motorista para comprar e manter um carro ficaram 18,46% mais altos em 12 meses, quase o dobro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, de 10,25% no mesmo período. Combustíveis, acessórios, peças, imposto e até pedágios são alguns dos responsáveis pela alta.


De acordo com o estudo da Fundação Getúlio Vargas, os combustíveis foram os principais culpados por impulsionar a inflação neste segmento. A gasolina teve alta de 40,46% desde novembro de 2020 e hoje já passa de R$ 7 em vários estados brasileiros. O etanol subiu ainda mais – 64,45%.


Preço do GNV subiu 37,1% no Brasil nos últimos 12 meses — Foto: Divulgação


Até mesmo quem buscou o Gás Natural Veicular como uma alternativa para economizar pagou mais caro neste ano. O GNV subiu 37,11% nos últimos 12 meses.


Já o consumidor que procura um carro 0-km vai pagar, em média, 11,27% a mais do que pagaria em novembro de 2020. Entre novembro de 2018 e outubro de 2019, esse índice era de 2,12%, e entre novembro de 2019 e outubro de 2020, ficou em 5,88%.


Em virtude da escassez de componentes, concessionárias estão com lista de espera de até 10 meses, dependendo do veículo — Foto: Getty Images


Em decorrência da crise mundial de semicondutores e componentes veiculares, faltam veículos 0-km nas concessionárias. A baixa oferta e o reaquecimento do comércio levaram à aceleração da inflação nesse setor.


Por consequência, o consumidor passou a buscar opções no mercado de seminovos e usados, que ficaram 8,44% mais caros em um ano.


Algumas montadoras, como a Renault, precisaram interromper a linha de produção pela falta de semicondutores — Foto: Divulgação


Peças mais caras

Outra categoria que também foi afetada pela escassez de matérias-primas na indústria foi a de peças e acessórios veiculares, que ficaram 12,06% mais caros. A inflação desses itens entre novembro de 2018 e outubro de 2019 ficou em 4,52% e entre novembro de 2019 e outubro de 2020, em 4,17%.


A FGV também aponta que o aumento de preços para o motorista é praticamente o dobro do IPC-10, índice de preços ao consumidor calculado pela instituição que mede a variação de um conjunto fixo de bens e serviços. Em doze meses, o IPC-10 ficou em 9,57%.