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Comprar um imóvel, um carro novo, fazer uma plástica, uma viagem, trocar os móveis, contratar um pedreiro. São tantas as possibilidades de usar uma carta de crédito que os consórcios seguem firme e fortes no mercado do País, apesar da pandemia de coronavírus.


Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) revelam que, em 2020, os consórcios movimentaram R$ 163,63 bilhões, 21,5% maior que os R$ 134,68 contabilizados em 2019. O crescimento contou ainda com a alta de 15,6% no tíquete médio anual, ao aumentar de R$ 46,88, em 2019, para R$ 54,18, em 2020.


Em dezembro eram 7,83 milhões de participantes ativos, marca inédita na história do mecanismo, que conta com quase 60 anos de existência. Sempre com trajetória crescente, também houve quebra histórica no recorde de vendas, com 3,02 milhões de novas cotas. A entidade não tem dados locais sobre o setor.


O presidente da entidade, Paulo Roberto Rossi, afirma que o crescimento do setor se deve, entre outras razões, a uma maior consciência do brasileiro em relação às suas finanças pessoais. "O consumidor tem olhado o consórcio com outros olhos, pensando no futuro", diz. Além disso, a modalidade tem funcionado como uma opção de investimento financeiro já que, com a Selic a 2% ao ano, boa parte do dinheiro investido não está rendendo o esperado. "O consórcio passou a ser uma modalidade de investimento patrimonial e financeiro", disse.


A consultora comercial Priscila Helena Marcondes Leite fez seu primeiro consórcio recentemente. Ela comprou uma cota no valor de R$ 10 mil de um consórcio de serviços, que pode ser usado para uma série de fins. Ela está pagando R$ 170 por mês, o que vai durar cinco anos. "Escolhi essa modalidade por ser flexível. Já pensei em usar numa cirurgia plástica, na reforma de casa, para trocar de carro", disse.


A escolha do melhor uso vai acontecer quando o dinheiro estiver disponível. "Está sendo um investimento. Se eu for contemplada posso deixar o dinheiro rendendo e pego o valor corrigido", disse.


A jornalista Elisiane Miranda fez um consórcio em outubro do ano passado. A carta de crédito no valor de R$ 37 mil vai ser paga em parcelas de R$ 690, mas como ela deu um lance, o valor foi abatido no número total de parcelas: 50. Ela vai usar o dinheiro pra comprar um carro. "Cogitei a possibilidade de um empréstimo, mas a taxa de juros estava altíssima e, no final, daria para eu comprar dois carros", disse,


Mesmo tendo de ter paciência, já que o consórcio demora um pouco mais para que possa ter o bem, ela afirma que o negócio compensou. "Meu marido e eu economizamos, juntamos o 13º salário e demos um lance no consórcio. Foi a modalidade mais vantajosa e a escolha mais assertiva que fiz no momento. Agora, penso em fazer um segundo para reformar minha casa", disse.


O encarregado do setor de consórcios do Grupo Zanon, Edmundo Diniz, afirma que houve alta nas vendas em Rio Preto, tanto no valor das cotas, quanto na quantidade e no tíquete. Ele afirma que, antigamente, os mais procurados eram os de moto, cuja cota é na casa de R$ 6 mil, e de carro, e hoje os mais vendidos são de estética e bens múltiplos, com valor de até R$ 18 mil. "O consórcio atrai porque não tem taxas de juros, apenas a taxa de administração, que é diluída ao longo do período todo", disse.


Um novo movimento que tem havido, segundo Diniz, é a contratação de cotas de consórcio para a quitação de financiamentos em bancos. "Por exemplo, um contrato de financiamento de R$ 200 mil, a parcela sai por R$ 2,7 mil e num consórcio cai para R$ 1,3 mil e o prazo é bem menor."


Alinhada

O gerente da sucursal da Porto Seguro em Rio Preto, Marcos Mendes, afirma que o desempenho na região de Rio Preto tem acompanhado o crescimento nacional. "A cidade é uma referência em consórcio, há uma forte demanda".


Segundo ele, em primeiro lugar aparece o consórcio de veículos, seguido pelo imobiliário e os muitos outros produtos. "Temos observado um crescimento na procura para instalação de placas fotovoltaicas." Em relação ao consórcio de imóveis o destaque são consumidores em busca do primeiro imóvel ou daqueles que querem um maior. Há uma grande procura por investidores também. "Esse aumento se deve ao planejamento, as pessoas fazem conta antes de comprar e o modelo é muito prático, hoje a venda é feita pela internet, o contrato pode ser assinado no celular e é possível operar em aplicativo. Essas facilidades têm atraído um público mais jovem".


Segundo Sebastião Cirelli, diretor de Consórcio da Rodobens, o ano passado foi muito positivo e a projeção é de que esse desempenho se mantenha. A Rodobens bateu recordes de operação. "Nós precisamos nos reinventar na pandemia. Passamos a fazer eventos online, happy hour com clientes dessa forma, e investimos muito forte em capacitação dos profissionais, desde técnicas e motivacionais, o que ajudou a concretizar os negócios".


O executivo destaca a demanda por consórcios de produtos como veículos leves, pesados (caminhões) e imóveis. "Pelo perfil dos nossos consumidores, o que observamos é que havia um gasto grande com lazer, viagens, roupas. A pandemia fez com que eles passassem a investir e encontraram no consórcio uma boa oportunidade para focar no negócio, trocar de carro ou imóvel."


De olho no agronegócio, setor que praticamente escapou da pandemia, a empresa retomou as operações de consórcio de máquinas e equipamentos agrícolas. As outras administradoras também atestam a demanda aquecida. "A expectativa para o ano é boa, acreditamos no setor."

Veículo: DIÁRIO DA REGIÃO - S. JOSÉ DO RIO PRETO Editoria: ECONOMIA Tipo notícia: Matéria Data: 18/02/2021 Autor: Liza Mirella