IPI menor refletiu nas vendas de veículos, mas ainda provoca cautela entre concessionários

Fenabrave aponta incertezas e problemas logísticos e promete revisão das projeções no segundo semestre



A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) promovida pelo governo federal em fevereiro refletiu em maior volume de vendas de veículos em março, informou a Fenabrave, a associação que representa os concessionários no país, na terça-feira, 5. A medida, no entanto, ainda está longe de passar segurança para um setor que quer vender mais, mas que ainda enfrenta a falta de veículos no showroom e a cautela do consumidor.


“Nos ajudou no último mês a redução do imposto e a queda nos preços das tabelas de algumas montadoras. A demanda existe, mas não há veículos para atender. Se esta demanda vai permanecer assim ao longo do ano, não sabemos, são muitas as incertezas que pairam sobre o setor”, disse Andreta Jr., presidente da Fenabrave. “Tem a questão da variante ômicron e seus reflexos na logística global que ainda preocupam.”


O imposto menor, de fato, levou as montadoras a baixarem os preços dos veículos e o movimento foi sentido no ranking de vendas de março: Hyundai HB20, um dos veículos que teve sua tarifa modificada por causa do IPI, fechou o mês na liderança, com 6,9 mil unidades vendidas, superando o Chevrolet Onix, que havia sido líder em fevereiro. O compacto Fiat Mobi, também mais barato, saltou da 9ª para a 2ª posição na lista dos mais vendidos de março.


O setor de distribuição, no entanto, ainda olha o quadro com desconfiança e espera que outros fatores tornem o ambiente de negócios mais previsível. Um deles é uma redução ainda maior do IPI, algo que, segundo o presidente da Fenabrave, ainda está em pauta em Brasília e tem as concessionárias como apoiadoras da medida. Outro fator é o reestabelecimento do fluxo logístico e, por consequência, a normalização da entrega de veículos nas lojas.


“Decidimos esta semana manter as nossas projeções para o ano. Em julho, com mais dados na mesa, devemos revisar os números de forma mais assertiva”, contou Andreta Jr.


Efeito cascata


Na sua visão o setor está nas mãos de episódios que escapam ao seu controle, e que geram uma espécie de efeito cascata em todo o mercado. “Tem a variante ômicron, que afeta a produção de semicondutores na Ásia. O conflito na Ucrânia também afeta a logística e o humor dos investidores, causando disparada dos preços das commodities, elevação dos juros, e isso tudo implica no poder de compra do consumidor brasileiro de veículos”.


De qualquer forma, as vendas fecharam março com alta de 9,6% sobre o volume vendido em fevereiro, apontaram os dados do Renavam divulgados pela Fenabrave. No mês foram vendidas 146,8 mil unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Na comparação com março do ano passado, houve queda de 22,5%. Na comparação do primeiro trimestre contra o de 2022, queda de 23%.


A Fiat, controlada pela Stellantis, fechou o trimestre como a marca com maior participação do mercado de automóveis e comerciais leves, 21,11%. Na sequência, para completar a lista das cinco maiores, vem General Motors (13,40%), Toyota (10,81%), Hyundai (10,78%) e Volkswagen (10,05%).