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Por que os carros elétricos já são melhores que os modelos a combustão


Carros elétricos pareciam coisa de ficção científica até pouco tempo atrás. Embora tenham sido uma das primeiras alternativas de alimentação no início dos automóveis, os elétricos deram lugar a uma forma muito mais prática de abastecimento: o motor a combustão. No entanto, a realidade atual é bem diferente. Podemos dizer que o rabo começou a balançar o cachorro faz um tempo.

Os automóveis (e veículos em geral) elétricos têm vantagens variadas sobre os seus pares convencionais. Entretanto, é mais do que sabido que ainda há desvantagens, mas elas estão sendo corrigidas a passos rápidos.

Desempenho superior

Motores elétricos oferecem potência e torque muito superiores aos seus pares convencionais, pois a entrega de força é total a qualquer pisada no acelerador. Nem mesmo os carros turbo conseguem fazer o mesmo. Acelerações rápidas e retomadas igualmente ligeiras fazem parte da realidade dos principais modelos.

Mesmo os eletrificados mais baratos são capazes de imprimir números de desempenho superiores ou parecidos, a despeito de alguns terem potência inferior. Nesses casos, a sorte não está nos números mas o que é feito com eles. Já os mais fortes não têm dificuldade alguma de superar os modelos equivalentes.

Há um único ponto que desfavorece os elétricos na comparação: a velocidade máxima. Ela é menor por uma necessidade, pois, à medida que o ritmo fica mais forte, as baterias são esgotadas mais rapidamente. Porém, quem precisa andar a velocidades maiores do que o limite? Como diriam os comentaristas esportivos, está dentro da regra.

O prazer ao dirigir é inquestionável. Para os que prezam pelo conforto acima de tudo, também é notável o silêncio de rodagem. Tirando o ruído da suspensão e da rolagem dos pneus, o ambiente de um carro elétrico é bem menos estressante. Não é por acaso que alguns fabricantes adicionam um “ronco artificial” para dar um pouco mais de emoção.

Em alguns casos, um ligeiro zumbido do motor ou um ruído que avisa os pedestres pode ser notado.

Eficiência acima do normal

É inquestionável que o índice de aproveitamento energético dos motores a combustão é baixíssimo. Não é possível falar em números precisos, dado que isso depende do tipo de motor e, claro, do combustível utilizado. Litros e litros são desperdiçados com essa perda; e isso pesa sobre o seu bolso e, consequentemente, sobre o meio ambiente.

“A eficiência energética de um elétrico é na faixa média de 95%. Em um motor a combustão, a média é de 28%. Se você gera 100 cv de força, apenas 28 cv são colocados nas rodas, os demais são perdidos em calor, fricção, etc”, explica Pedro Bentancourt, vice-presidente de veículos leves da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor de Relações Governamentais da Great Wall Motors do Brasil.

Preços estão baixando

A diminuição da diferença de preços em relação aos ditos carros térmicos já é realidade em vários países, em especial, os que oferecem incentivos para a compra de elétricos. Somente na China foram vendidos mais de 500 mil modelos completamente elétricos em setembro.

As baterias exigem matérias-primas raras, e, cada vez mais, países correm atrás da extração de componentes como terras raras e lítio. Isso não quer dizer que as baterias ficarão mais caras, diz Pedro. “Há 15 anos, o kWh custava mais de mil dólares. Já hoje está na casa dos 250 a 300 dólares. Há estudos que indicam que, graças ao aumento de capacidade produtiva e da evolução da química, talvez o kWh custe na casa dos 100 dólares. Quando ele custar 80 dólares, não faz mais sentido produzir um modelo a combustão”, analisa Pedro.

Forçados pelos limites de eficiência e emissões cada vez mais restritos, os projetos a combustão e as suas necessárias alterações ficarão cada vez mais caros e exigirão periféricos igualmente custosos, medidas que devem igualar os preços dos térmicos aos veículos elétricos. Neste caso, os motores a combustão sobreviverão apenas no mercado de usados.

No caso do Brasil, há algumas vantagens para popularizar os elétricos e, com isso, colaborar com o processo de ambientação da tecnologia e fabricação nacional no futuro. O imposto de importação já foi reduzido a zero – na maioria dos importados, chega a 35% – e muitos estados oferecem vantagens. A principal talvez seja a redução ou isenção de IPVA. A cidade de São Paulo isentou os elétricos e híbridos do rodízio. De acordo com Pedro, outras medidas de incentivos devem ser tomadas, a exemplo de vagas exclusivas.

Quanto aos possíveis bônus para incentivar a troca de um automóvel térmico por um elétrico estão restritos a países ricos. “Seria inviável o Brasil fomentar uma política para uma população de maior poder aquisitivo”, lembra Pedro.

Manutenção mais barata

Se o preço de compra ainda é desmedidamente mais elevado em países como o Brasil, a manutenção já se mostra mais barata mesmo em elétricos mais acessíveis. A despeito do Kwid normal já ser um carro de manutenção acessível, o Kwid E-Tech estabelece um patamar ainda mais baixo. De acordo com a marca francesa, o elétrico demanda R$ 506 pelas três primeiras revisões – até 30 mil km -, face R$ 1.529 do Kwid “normal”.

São diversos os motivos. Há menos componentes no conjunto propulsor, algo que barateia tudo, uma vez que não há câmbio convencional – a maioria dos elétricos têm apenas uma marcha e, mesmo os que têm mais, isso não interfere na manutenção. O motor (ou os motores) é mais simples e, somado a tudo isso, o desgaste geral é menor. Sem falar na ausência de fluídos fundamentais para o trem de força.

“O motor elétrico não tem 10% das peças de um a combustão. São cerca de 100 peças, contra mais de mil. Peças móveis são entre três e quatro, o que gera menor desgaste. Ele não tem vela, tanque, filtro, correia, então isso faz com que a manutenção seja espaçada e econômica. Quantas vezes você leva sua geladeira ou ventilador para a manutenção?”, indaga Pedro.

Por sua vez, o efeito de freio motor é muito maior, uma vez que o sistema ajuda a aproveitar a energia das frenagens e reduções de velocidade para realimentar as baterias. Com isso, os discos de freio e pastilhas duram muito mais.

Economia de combustível

Algumas contas podem compensar o preço maior de um veículo elétrico no médio e longo prazo, mas há uma vantagem que é notada na primeira recarga: a economia. “Cada kWh permite rodar seis km. Um kWh hora em São Paulo está na casa dos 80 centavos, uma conta que indica que você vai gastar 13 centavos por km. Vamos supor que os veículos normais do Brasil fazem 10 km/l. Com gasolina por volta de R$ 5, vai custar 50 centavos por km rodado”, calcula Pedro.

Soluções para os antigos problemas

Diferentes alternativas de carros elétricos têm surgido nas últimas décadas. Elas não se popularizaram por causa de quatro motivos: o longo tempo de recarga; o peso e baixa eficiência das antigas baterias; o desempenho tímido e, por último, o peso decorrente de todo o aparato.

Tudo isso mudou. As antigas baterias de chumbo-ácido foram inventadas em 1859, ou seja, estavam longe de serem práticas para a função de deslocamento, embora continuem a ser uma boa alternativa para a bateria que está nos carros convencionais.

As de íons de lítio duram muito mais e são mais leves. Não é por acaso que os smartphones, laptops e outras tecnologias que, provavelmente, fazem parte do seu dia a dia utilizam a mesma solução. Somado a isso, elas são menores, o que permite o melhor aproveitamento de espaço.

A perda de eficiência das baterias pouco a pouco ainda é preocupante, algo mais que justificado, uma vez que os custos delas podem ter baixado muito, mas ainda representam a maior parte do valor do veículo. A vida útil não deve ser inferior a dez ou 12 anos, mas o limite é bem maior do que isso, basta se acostumar com a perda de densidade energética e a consequente diminuição da autonomia.

Praticidade de carros normais

Os antigos elétricos tinham que abrir mão de boa parte do espaço interno para a acomodação de baterias, que eram instaladas onde estava o banco traseiro ou ocupavam o porta-malas. Isso começou a mudar nos últimos 20 anos. Atualmente, os elétricos não sofrem do mesmo problema.

Nos próximos anos mais carros do gênero vão ser ainda melhores em espaço interno, uma vez que muitos deles já nascem como elétricos desde o primeiro esboço, o que permite uma plataforma já adaptada às necessidades práticas. Mais um ponto para os elétricos.

Recargas cada vez mais rápidas

As recargas estão cada vez mais rápidas, seja pelos carregadores ou pela capacidade de suportar cargas cada vez mais fortes, algo que já está presente em vários elétricos mais modernos. A cada semana surge uma nova e promissora tecnologia.

Claro que não depende só da potência do carregador para acelerar o processo. Um dos principais fatores é a capacidade de carga da bateria, uma vez que esse é um limitador que determina o quanto de energia ela pode absorver por um determinado tempo.

Vale lembrar que o tempo de recarga até 80 ou 100% continua a demandar alguma paciência, talvez você tenha que parar no posto, pegar um pão de queijo, café e dar aquela olhada no smartphone. Mas há algo que muitos não lembram: tal como acontece nos carros a combustão, nem sempre você precisa encher o tanque. Dá para carregar apenas uma parte das baterias e, provavelmente, será o suficiente para um uso urbano.

Uma esperança extra é o fato de que as grandes empresas do setor de combustível tendem a mudar o seu modelo de negócio pouco a pouco. Não vai tardar o tempo em que as bombas de combustível sejam superadas em postos por pontos de recarga. Até porque os modelos que estão sendo recarregados neles exigem mais tempo e, com isso, não dá para se atender o mesmo número de veículos como faz uma bomba convencional. Por ora.

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