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Rombo fiscal cresce 666% e vai a R$ 743 bi

As contas do governo central registraram deficit de R$ 743 bilhões de 2020, com alta de 666,5% ante R$ 95 bilhões em 2019, considerando a inflação do período. Apesar de ter sido recorde, o resultado foi melhor do que a projeção do próprio governo, que estimava um deficit primário superior a R$ 830 bilhões. O rombo é resultado da combinação de aumento dos gastos, decorrente das medidas de combate à crise gerada pela pandemia, com queda na arrecadação Em dezembro, o rombo foi de R$ 44,1 bilhões ante R$ 14,6 bilhões em igual período do ano anterior. A receita líquida diminuiu 34,5% quando comparada a dezembro de 2019. Isso porque, naquele ano, o governo teve muitos eventos não recorrentes, como o recebimento de recursos dos leilões de petróleo, que somaram R$ 72,1 bilhões. Em 2020, a receita líquida foi de R$ 1,467 trilhão.


"Quando olhamos o acumulado no ano, a queda foi de 13,1% em 2020, ou seja R$ 228 bilhões a menos do que em 2019. Também há efeito da desaceleração da economia nesta redução", explicou o secretário do Tesouro, Bruno Funchal. Ele destacou que as despesas referentes à pandemia são consideradas obrigatórias e somaram R$ 539 bilhões. "Tirando esse gasto extraordinário, mantivemos um patamar constante de despesas obrigatórias, de R$ 1,3 trilhão", justificou. Somando tudo, os gastos do governo em 2020 foram de R$ 1,9 trilhão. "O governo gastou 110% da receita líquida porque o bolso ficou menor", disse.


De acordo com Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), o resultado ficou abaixo das projeções . "A nossa previsão era de R$ 779,8 bilhões. A despesa com a pandemia explica a maior parte do deficit, mas também houve queda importante de receita. O que fica para 2021 é que a pandemia está evoluindo. As receitas dependem da atividade econômica, por isso, a vacina é fundamental", afirmou.


Do lado do gasto, Salto assinalou que a preocupação é a falta de uma sinalização mais clara do que fazer com o Orçamento deste ano, que ainda não foi votado. "No ano passado, houve Orçamento de guerra. Este ano, para não furar o teto de gastos, o governo terá de usar uma válvula de escape, que é o crédito extraordinário. Mas isso é paliativo", alertou.


Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF Editoria: ECONOMIA Tipo notícia: Matéria Data: 29/01/2021 Autor: Simone Kafruni