Stellantis e Intel: falta de microchips pode durar até 2023


Presidentes das duas empresas preveem que crise dos semicondutores vai se arrastar por mais um ou dois anos


Foram dois eventos diferentes em dias distintos, mas a conclusão foi parecida: a indústria automotiva vai continuar sofrendo por mais um ano ou dois anos com a escassez generalizada de semicondutores, que tem provocado a paralisação das fábricas de veículos do mundo todo.


O primeiro alerta foi feito por Carlos Tavares, CEO da Stellantis, durante um evento da Automotive Press Association em Detroit na quarta-feira, 21. “A crise dos semicondutores, por tudo que vejo e não tenho certeza se consigo ver tudo, vai se arrastar até 2022 facilmente porque não vejo sinais suficientes de que a produção adicional dos pontos de abastecimento da Ásia chegará ao Ocidente em um futuro próximo”, afirmou Tavares na sua apresentação.


O executivo português disse que a falta de componentes eletrônicos tem obrigado a Stellantis – grupo que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën – a priorizar a produção de modelos que têm maior margem de lucro, estratégia não muito diferente da maioria de seus concorrentes, que em alguns casos chegam a recorrer a alternativas criativas e inusitadas.


As soluções mais comuns têm sido deixar carros semiprontos estocados no pátio, eliminar itens de série, rebaixar nível de sofisticação e até recorrer aos tribunais para não parar sua produção (leia mais aqui). Recentemente a Ford americana foi ainda mais ousada: está cogitando a ideia de enviar veículos inacabados para as concessionárias, que fariam a colocação dos microchips.


O segundo alerta, este ainda mais sombrio, veio um dia depois, numa entrevista do jornal The Wall Street Journal com Pat Gelsinger, CEO da Intel, um dos maiores fabricantes de processadores do mundo. O executivo disse que a escassez de microchips pode se estender até 2023. “Ainda temos um longo caminho a percorrer. Leva muito tempo para criar capacidade [de produção]”, comentou ele. “Nossas estimativas são de que vai demorar provavelmente dois anos para a indústria superar isso porque, como se diz, leva um tempo para criar capacidade de produção ou uma fábrica.”


Pelo jeito sua opinião não mudou em relação à declaração que deu em uma entrevista a uma TV americana, quando disse que a crise dos semicondutores não ia acabar tão cedo. “Temos alguns anos até que possamos atender a essa demanda crescente em todos os aspectos do negócio”, afirmou na época.