O temor de um conflito militar entre americanos e iranianos levou à alta no preço do petróleo e reacendeu dúvidas sobre a recuperação da confiança de consumidores e do investimento global neste ano.

 

Isso depois que a expectativa com a assinatura da fase 1 de um acordo comercial entre Estados Unidos e China, para dia 15, e também com uma saída (Brexit) negociada do Reino Unido da União Europeia injetou um maior otimismo em relação ao crescimento da economia global em 2020, após o ano passado ter sido marcado por uma desaceleração sincronizada do PIB mundial.

 

Após o ataque aéreo ordenado pelo presidente americano Donald Trump que matou o general iraniano Qassim Suleimani em Bagdá, na sextafeira, o preço do barril do petróleo Brent chegou a superar a barreira de US$ 70, mas ao fim da sessão de negócios da segunda-feira, a cotação já havia cedido para o patamar de US$ 68, ou apenas US$ 2 acima do patamar negociado antes do ataque.

 

Ou seja, o estrago causado pelo ataque que matou o líder militar do Irã tem sido relativamente limitado até o momento e reflete a aposta de investidores de que o conflito não desembocará numa guerra em larga escala entre os EUA e o Irã. Todavia, os iranianos já prometeram vingar a morte do seu general.

 

Uma retaliação é amplamente esperada. A dúvida é se um ataque iraniano a alvos americanos será de tal magnitude que ficaria inevitável uma guerra entre os dois países, arrastando aliados no Oriente Médio.

 

Nesse cenário, uma disparada no preço do petróleo não poderia ser descartada. Isso teria um impacto significativo sobre o consumo e o investimento global neste ano. É bom lembrar que, desde que bateu no patamar de US$ 58 no início do outubro, o preço do barril de petróleo já subiu mais de 17%.

 

Nos cálculos de Joseph Lupton, economista do banco JPMorgan, a cada 10% de aumento no preço do petróleo cerca de 0,15 ponto porcentual é retirado do PIB mundial em um ano. “A recente alta no preço do petróleo deve provavelmente elevar a inflação e reduzir o gasto dos consumidores.”

 

James Sweeney, economista do banco Credit Suisse, lembra que cinco das últimas seis recessões nos EUA foram precedidas por uma alta no preço do petróleo. “Houve várias mudanças dramáticas que devem tornar a economia americana mais resiliente a choques de petróleo”, diz Sweeney. “O gasto de consumidores com gasolina é historicamente baixo e as taxas de poupança estão elevadas, o que ajudam a acomodar preços mais altos.”

 

Por outro lado, o crescimento do setor de energia nos EUA fez com que o país deixasse de ser importador líquido de derivados de petróleo e que, portanto, a alta no preço dessa commodity pode ter até o efeito de elevar investimentos no setor. “Um choque global no preço do petróleo é um risco ao crescimento e se os preços continuarem subindo, a preocupação é com os efeitos não lineares na confiança e nas condições financeiras”, argumenta Sweeney.

 

Todavia, a expectativa ainda é de que o crescimento da economia global melhore neste ano em relação a 2019. Isso se deve a percepção de que a postura ainda acomodatícia dos principais bancos centrais vai absorver o impacto negativo de riscos geopolíticos, com o conflito EUA e Irã tomando o lugar do nervosismo com a guerra comercial entre americanos e chineses ou um Brexit duro. O Federal Reserve (Fed) já sinalizou que deve manter inalterados os juros americanos ao longo deste ano. O Banco Central Europeu (BCE) segue mantendo as taxas negativas. A China deve seguir injetando estímulos monetário e fiscal.

 

Ainda resta dúvida, especialmente nos EUA, se a fraqueza na indústria, que foi a mais afetada pela guerra comercial, poderia se espalhar para outros segmentos da economia americana, contaminando o setor de serviços. Mas a aposta dos analistas é de que o pior já passou em termos de confiança dos empresários e consumidores globais. E que o desempenho da economia mundial ganhe fôlego até o fim deste primeiro semestre. Isto é, se o conflito entre EUA e Irã não descambar para uma guerra em grande escala e se as negociações comerciais entre americanos e chineses continuem avançando.

 

 

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