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Elevada informalidade

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a informalidade é a regra no mercado de trabalho doméstico -- acima de 70% da base desses trabalhadores. Para o economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), "tem muita desigualdade nesse ramo e, como grande parte é informal, tem renda muito baixa".


Por isso, na avaliação do economista Carlos Alberto Ramos, professor do departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), as conquistas recentes dos trabalhadores domésticos estão ameaçadas pela pandemia e pelo avanço de tecnologias.


"Muitas famílias de classe média que estão ficando mais em casa compram eletrodomésticos, como lava-louças, e substituem a mão de obra doméstica para evitar contato social. E esta é uma tendência de toda a sociedade que se moderniza e não haverá reversão, como vemos nas economias avançadas", explicou.


Ramos reconhece que o desemprego tende a aumentar no Brasil daqui para frente, principalmente, entre os trabalhadores domésticos. "Este setor ainda vai ser mais punido ainda porque o processo de avanço tecnológico não terá substituição. Quem comprou a máquina de lavar louça não vai devolvê-la para contratar um empregado. Além disso, os setores nos quais haverá oportunidades de emprego, como o de tecnologia, não absorve esse tipo de trabalhador, mesmo que ele faça cursos, porque muitos têm cultura baixo nível educacional", lamentou.


Flexibilidade A economista e consultora Zeina Latif reconhece que o cenário do mercado de trabalho e, principalmente, do trabalhador doméstico, não é animador nos próximos meses, quando se verá o desemprego subir, pois, no conceito ampliado, a taxa está mais elevada do que a apontada pelo IBGE.


"O mercado de trabalho brasileiro não tem muita flexibilidade para realocação. Do ponto de vista de arrecadação, é melhor a formalidade, pois os brasileiros fazem pouca poupança para momentos de adversidade. Pensando em prioridades, seria bom ter uma nova rodada de leis trabalhistas para o país lidar com momentos difíceis como este. As pessoas vão começar a procurar trabalho com o fim do auxílio emergencial", destacou.


Para Zeina, a geração de vagas não vai dar conta do número de pessoas procurando emprego e o país não vai ver uma recuperação em V como o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma que vem ocorrendo. "As medidas que o governo federal adotou, como o auxílio emergencial e as de flexibilização dos contratos de trabalho, ajudou a preservar 10 milhões de empregos. As políticas públicas adotadas têm efeito transitório e não resolvem os problemas estruturais", alertou. (RH)

Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF Editoria: ECONOMIA Tipo notícia: Matéria Data: 16/11/2020

 

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